O câncer de pele é o tipo mais comum no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, são esperados quase 170 mil casos no biênio 2018-2019. No entanto, embora sejam feitas reportagens de cuidados com raios solares no verão, 70% dos brasileiros não têm o hábito de usar filtro solar. Isso se dá, principalmente, porque o indivíduo não tem uma visão de longo prazo do problema.

Será que o cidadão sabe como o tumor cutâneo surge? Neste post, você vai conhecer o câncer de pele, principais tipos, causas, sintomas, prevenção e tratamento. Confira:

O que é câncer de pele?

É o aumento desenfreado da reprodução de células cutâneas. A pele é formada por três camadas e, dependendo de onde essa aceleração se dá, define-se o tipo de câncer. Os tipos não melanoma são os mais comuns, correspondendo a 95% das neoplasias de pele. E 30% de todo os tumores malignos diagnosticados.

Embora mais raro (menos de 5% dos casos registrados), o melanoma é o mais letal por suas altas chances de metástase.

Carcinoma basocelular (CBC)

É o tipo de câncer mais comum ― tanto de pele quanto no quadro geral de tumores ―, menos agressivo e com maior chance de cura, pois raramente causa metástase. Aparece como um caroço de bordas arrendondadas em áreas mais expostas a raios solares, como pescoço, nuca e face. Se não tratado, forma crostas de sangue e uma úlcera centralizada e, quando invade estruturas mais profundas, pode causar mutilações.

Carcinoma espinocelular (CEC)

Causado pela produção acelerada das células escamosas, o carcinoma espinocelular pode aparecer tanto nas áreas expostas ao sol quanto na região íntima. É mais agressivo que o basocelular, pois tem mais chances de causar metástase caso não seja tratado precocemente. Manifesta-se como uma lesão avermelhada que rapidamente se torna um nódulo com uma ferida que não cicatriza.

Melanoma

Dos mais conhecidos, o melanoma é o tipo menos comum e mais letal. Ele é formado pela alta reprodução de melanócitos, células dentríticas produtoras de melanina localizadas na camada basal da epiderme. Tem altas chances de metástase e pode afetar o funcionamento de outros órgãos.

O melanoma apresenta-se como uma mancha assimétrica, de bordas irregulares, com colorações distintas (marrom, vermelho e azul, por exemplo) e diâmetro maior que 6 milímetros.

Existem também outros tipos de cânceres, como o linfoma de pele, o carcinoma de células de Merkel e o sarcoma de Kaposi, que representam menos de 1% dos tumores cutâneos.

Quais são suas causas e sintomas?

Conheça alguns fatores de risco e sinais do aparecimento de câncer de pele:

Causas e fatores de risco

A grande causa para o câncer de pele é a exposição a raios solares. No entanto, alguns fatores geram predisposição à formação de tumores. Conheça alguns deles:

Exposição ao sol

Os raios UVA, presentes do nascer ao pôr do sol, estão associados ao aparecimento do carcinoma espinocelular e do melanoma. Já os raios UVB, mais intensos das 10h às 16h, relacionam-se principalmente ao carcinoma basocelular e causa danos diretamente aos genes.

Na verdade, o grande fator de risco é a associação dos raios ao envelhecimento: efeito da exposição solar é cumulativo ― principalmente por causa do UVA, que tem efeito em longo prazo. Com o passar dos anos, quanto mais vezes o indivíduo se expuser ao sol de forma contínua e prolongada, mais chances tem de que sua pele forme manchas e tumores. Embora as pessoas estejam cientes do risco, elas não conseguem ter uma visão ampla do problema.

Em uma pesquisa feita para uma das campanhas da Unifesp, 70 a 80% dos entrevistados admitiram conhecer o perigo, no entanto continuavam se expondo aos raios solares no verão por cultivarem a percepção de que pele bronzeada é sinônimo de beleza.

Embora seja considerada vilã, a exposição moderada ao sol é fator-chave para a produção de vitamina D, essencial contra a osteoporose e até para a proteção contra possíveis tumores (incluindo o de pele). Dez minutos por três vezes na semana ― entre 8h e 10h ― são suficientes para o organismo.

Pele clara

O maior fator de probabilidade ao surgimento do câncer é a sensibilidade ao sol, que está associada à quantidade de melanina que a derme é capaz de produzir. Pessoas com pele e olhos muito claros, albinas e com vitiligo estão dentro desse grupo.

Indivíduos naturalmente ruivos estão no grupo de risco, ou seja, devem ter cuidado com a exposição solar até mesmo no horário recomendado (8h às 10h). Quem tem cabelos avermelhados, pele clara e sardas costuma ter mais dificuldade em produzir eumelanina (pigmento de cor amarronzada ou preta) e, em vez disso, fabricam feomelanina, de cor avermelhada e com menor capacidade de proteger o organismo dos raios UV. Com isso, a derme é incapaz de se bronzear, ficando avermelhada e queimada.

Embora ter a pele clara seja um fator de risco, uma variação de melanoma (acrolentiginoso ou acral; que nada tem a ver com a exposição solar) costuma ser mais comum entre negros e asiáticos. No Brasil, a incidência dessa neoplasia costuma ser maior que no resto do mundo por causa da miscigenação.

Nevos atípicos (displásicos)

Nevos são pequenas manchas simétricas e redondas que costumam aparecer nos primeiros anos de vida, como consequência da exposição solar. Quando aparecem em um tamanho um pouco maior, assimétrico, com coloração diferenciada (como um melanoma) e de forma não usual, são conhecidos como nevos atípicos ou displásicos. Embora essas manchas sejam benignas, pessoas com 10 ou mais nevos atípicos têm até 12 vezes mais chances de desenvolver melanoma.

Histórico familiar ou pessoal

O aparecimento de câncer na família pode significar uma predisposição, principalmente porque a sensibilidade da pele pode ser algo hereditário. Embora possa influenciar, esse fator de risco não é tão grande.

O carcinoma costuma aparecer pelo exagero na exposição solar, portanto a necessidade de preocupação é menor. Já o melanoma tem um componente genético ainda não compreendido totalmente pela Medicina.

Já ter tido algum tipo de tumor (como no pâncreas) também é considerado um comportamento de risco do organismo, portanto é necessário tomar cuidado.

Uso de imunossupressores

O uso de imunossupressores, como as tiopurinas (TP), mostrou aumento de risco de neoplasias, principalmente linfomas e cânceres de pele não melanoma. Já o uso de anti-TNFs pode influencia o aparecimento de melanomas. 

Sintomas

  • assimetria, bordas irregulares, coloração diversificada, diâmetro maior que 6mm e evolução rápida da aparência da mancha (método ABCDE para identificação de melanoma);
  • pápula rosada ou translúcida com pontos perolados e vasos visíveis na superfície;
  • manchas que coçam, ardem, descamam e sangram sem motivo aparente;
  • nodulação com bordas arredondadas e úlcera centralizada;
  • feridas que não apresentam cicatrização depois de quatro semanas;
  • manchas pretas em unhas e pés (melanoma acral).

Como se prevenir do câncer de pele?

  • use proteção solar de, no mínimo, FPS 15 e também proteção UVA. A aplicação deve ser feita 30 minutos antes e reaplicada durante o dia ou após nadar, secar-se com toalha e suar;
  • além do filtro, é essencial o uso de guarda-sol e guarda-chuva, bonés, chapéus de abas largas, óculos escuros e protetores labiais com proteção UV no cotidiano, incluindo dias nublados;
  • mantenha cuidado redobrado em altitudes. A cada 300 metros, a intensidade da vermelhidão causada pela radiação ultravioleta na pele aumenta em 4%;
  • procurar lugares com sombra, como árvores ou marquises: reduzem até 50% a incidência de raios solares na pele;
  • caso tenha filhos, mantenha uma rotina de proteção desde a primeira infância;
  • evite exposição solar das 10h às 16h.

Como tratá-lo?

Antes de iniciar o tratamento, o essencial é que o portador de câncer de pele procure a ajuda de um oncologista cutâneo. Esse profissional entende a histopatologia do tumor e, portanto, conhece tratamento mais adequado para eliminá-lo.

Na grande maioria das vezes o procedimento é cirúrgico, como a excisão, a criocirurgia e a cirurgia micrográfica de Mohs. No entanto, dependendo do estágio do tumor, o oncologista pode optar pelo tratamento ou associação a outros menos invasivos, como o uso de Imiquimode, radioterapia e terapia fotodinâmica.

Entendeu como o câncer de pele costuma aparecer e como evitá-lo? Para o tratamento efetivo, é necessário o acompanhamento do profissional adequado. Descubra o que você precisa fazer para se tornar um oncologista cutâneo!