Você sabe quais procedimentos o oncologista cutâneo realiza? O câncer de pele é o tipo mais comum no Brasil, chegando a 30% de todos as neoplasias malignas. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), quase 170 mil diagnósticos de tumores cutâneos são esperados para o biênio 2018-2019. Por dominar desde a histopatologia do tumor até técnicas de tratamento e remoção, o oncologista cutâneo é o profissional mais indicado para cuidar desse público.

Existem inúmeras subdivisões de cânceres de pele, mas a Medicina tem avançado exponencialmente na criação e desenvolvimento de procedimentos terapêuticos, clínicos e cirúrgicos. Assim, neste post você vai conhecer alguns e entender como o oncologista cutâneo age em cada caso. Confira:

Quais procedimentos são de domínio do oncologista cutâneo?

O oncologista cutâneo precisa ter domínio teórico e prático dos tratamentos de neoplasias de pele. Confira os principais procedimentos:

Terapia fotodinâmica (TFD)

É uma reação fotoquímica utilizada para o tratamento de diversos tumores, queratoses actínicas e outras patologias, como acne vulgar e micose. Na Oncologia Cutânea, reage melhor a neoplasias superficiais. Quanto maior o estágio do tumor, menor a chance de recuperação pela terapia.

A TFD trabalha com a junção de:

  • alguma substância fotossensibilizante tópica ou sistêmica. As mais usadas são as tópicas, como o ácido 5-aminolevulinico (ALA) e seu derivado esterificado, o metilaminolevulinato (MAL), em forma de creme;
  • fonte de luz, como a luz intensa pulsada e o diodo emissor de luz (LED);
  • oxigênio.

Quando o comprimento de luz excita o agente fotossensibilizante, transforma-o na protoporfirna IX (PpIX), responsável pelas ações metabólicas da TFD. Sua principal ação é produzir espécies reativas de oxigênio (EROS) que aceleram a morte celular. Hoje, dependendo do comprimento de onda de luz que o oncologista cutâneo utilizar, é possível direcionar seu efeito apenas às células tumorais, diminuindo seu efeito nas áreas saudáveis.

Excisão

Procedimento realizado para a remoção de uma neoplasia benigna ou maligna. É uma técnica ambulatorial feita com anestesia local quando trata de lesões pequenas; já estágios mais avançados podem requerer sedação ou anestesia geral.

O oncologista cutâneo examina e mede a área a ser operada, incluindo a margem de segurança, limpa a área e aplica a anestesia. Com o bisturi, o cirurgião pode retirar camadas até chegar à parte gordurosa da pele, certificando-se de que nenhuma margem de risco se mantenha. Caso o tumor esteja muito profundo, serão também retirados os gânglios linfáticos mais próximos.

Depois da remoção, o oncologista cutâneo faz a reconstrução do tecido. O procedimento pode não ser o mais aconselhado para pacientes em idade avançada, alérgicos a anestésicos, que fazem uso de marcapassos e imunodeprimidos.

Criocirurgia

É um procedimento cirúrgico que utiliza baixas temperaturas para a remoção de lesões. É normalmente feita com nitrogênio líquido, que se apresenta em impressionantes -195,8°C. Quando a pele chega a -20°C, entra em processo de necrose; em -50°C, chega à destruição total do tecido.

O nitrogênio é colocado em um aparelho chamado crio spray, que elimina um jato precisamente no tumor. É também comum o uso de ponteiras para encostar o líquido na área. Lesões maiores, que demandam tempo maior de congelamento, podem necessitar de anestesia local.

A criocirurgia é mais indicada para:

  • alguns tipos de carcinoma basocelular;
  • cromomicose;
  • patologias inflamatórias.

Cirurgia micrográfica de Mohs

Desenvolvida pelo cirurgião geral Frederic Mohs na década de 1930, a também chamada micrografia pode parecer ultrapassada por ter sido criada há tanto tempo. Ainda assim, é uma técnica pioneira, meticulosa e refinada. Por isso, permanece como uma das mais utilizadas pela Oncologia Cutânea.

Com o passar dos anos, ela sofreu consideráveis avanços. Hoje, um dos recursos mais usados pelos oncologistas cutâneos é o criostato, aparelho que congela a peça cutânea para que sejam feitos os cortes durante a operação.

A cirurgia de Mohs consiste na remoção de todas as camadas do tumor até que não haja mais áreas de risco, preservando a pele ao redor. Ela se diferencia da excisão porque não usa o conceito de margem de segurança. Ou seja, não se baseia apenas na estimativa do cirurgião oncológico. Durante todo o procedimento, 100% das margens são observadas pelo microscópio, o que permite uma precisão de 98%. Quando o oncologista cutâneo chega na margem livre, começa a fechar a área lesionada pelo procedimento.

A cirurgia de Mohs é mais recomendada quando:

  • o tumor está localizado em áreas dificultosas ou com pouca pele para realizar a reconstrução, como mucosas e face;
  • o câncer é um carcinoma espinocelular;
  • é de um tipo mais raro ou agressivo;
  • é recidivo.

Para fazer uma micrografia, o oncologista cutâneo deve ter treinamento especializado, além de conhecimento em histopatologia para a examinação contínua durante a exérese cirúrgica. Essa base permite a retirada do câncer mesmo nas áreas em que não é possível visualizá-lo a olho nu.

Imiquimode

É um remédio de uso tópico para tratamento de tumores cutâneos, como carcinomas basocelulares, codilomas acuminados e ceratose actínica em pacientes com sistema imunológico saudável. O Imiquimode otimiza a produção de interferon e das células de Langerlahns (que otimizam a produção de linfócitos T).

Apenas um profissional com conhecimento oncológico pode determinar se a neoplasia pode ser tratada com o quimioterápico, sua posologia e tempo de uso.

Radioterapia

Também chamada de radioncologia, a radioterapia é um procedimento que utiliza raios ionizantes para destruir as células cancerígenas e impedir sua reprodução. A radiação é invisível e indolor. Um feixe é aplicado na área neoplásica em tempo suficiente para lesionar as células cancerígenas sem afetar o campo de tecido vizinho, que servirá para reconstruir a pele.

Quando a radiação interage com o tecido afetado, produz elétrons que ionizam a área e provocam diversos efeitos químicos que, consequentemente, inativam os sistemas vitais e a capacidade de reprodução da célula cancerígena.

Para que o tratamento tenha o efeito desejado, a dose total de radiação é fracionada em partes iguais diárias porque, quanto mais rápido o tumor regride, maior é sua sensibilidade aos raios, o que aumenta a porcentagem de cura (a maioria dos tumores radiossensíveis é radiocurável).

Em alguns casos, a radioterapia é recomendada como tratamento após a cirurgia, diminuindo as chances de um tumor recidivo. No entanto, ela também pode ser utilizada para tratar carcinoma basocelular ou espinocelular que se espalhou para os nódulos linfáticos ou outros órgãos.

Mas, como você viu, embora alguns procedimentos sejam antigos, a Medicina reformulou tratamentos. Criou aparelhos avançados, capazes de eliminar totalmente as células cancerígenas e impedir tumores recidivos. São inúmeros recursos, e cabe ao oncologista cutâneo estudar cada caso e aplicar o procedimento ideal.

E para saber mais sobre o assunto, baixe o e-book sobre Oncologia Cutânea que a BWS preparou para você!