Em tempos em que a população está mais preocupada com saúde e bem-estar, a prática de atividades que exigem alto desempenho tem aumentado. Por isso, atualmente, amadores do esporte sentem a necessidade de ter rotina parecida com a de atletas de elite. Dessa forma, além de alimentação controlada e treino constante, outro elemento importante é o uso de recursos ergogênicos.

Fatores genéticos são determinantes para o nível de desempenho dos atletas. Igualmente, a composição adequada e a regularidade dos treinos também são importantes, mas podem não ser suficientes para quem deseja dar um passo adiante e potencializar os resultados das atividades físicas. Assim sendo, os recursos ergogênicos surgem para proporcionar essa diferença, já que podem trazer resultados surpreendentes.

Para saber mais sobre ergogênicos, continue a leitura do post:

O que são recursos ergogênicos?

A palavra “ergogênico” vem da união das palavras gregas “ergon” (trabalho) e “gennan” (produção). Portanto, recursos ergogênicos são substâncias, estratégias ou artifícios utilizados para aumentar o desempenho do atleta.

A maioria dos recursos objetiva aumentar a força física, mecânica ou mental para retardar o surgimento da fadiga. Embora uma parte deles seja bem comum no dia a dia, outros precisam de orientação médica ou de um nutricionista para o uso adequado.

Quais são os tipos ou categorias de recursos ergogênicos?

Os recursos ergogênicos são classificados em 5 categorias. Conheça mais sobre cada uma:

Nutricionais

Os suplementos alimentares se subdividem em duas categorias: os suplementos nutricionais e os alimentos para atletas.
Carboidratos, proteínas e até água, por exemplo, estão dentro dessa categoria de artifício.

Os recursos ergogênicos nutricionais devem ser aliados a uma dieta equilibrada e personalizada para o objetivo do atleta — tarefa que apenas o profissional de Nutrição poderá fazer. Caso contrário, eles funcionarão apenas como alimentos comuns, sem os benefícios desejados.

Classificações

Segundo a portaria nº 33, de 13 de janeiro de 1998, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) considera suplementos apenas vitaminas e minerais, isolados ou combinados, que não ultrapassem 100% da ingestão diária recomendada. Ao passo que os alimentos para atletas são, segundo a RDC nº 18, de 2010, classificados da seguinte forma:

  • suplemento hidroeletrolítico como os isotônicos;
  • suplemento energético como a maltodextrina;
  • suplemento proteico como whey protein;
  • suplemento para substituição parcial de refeições;
  • suplemento de creatina;
  • suplemento de cafeína.

Os recursos ergogênicos nutricionais devem ser ingeridos sob orientação médica ou de um nutricionista.

Biomecânicos ou mecânicos

Nesse caso, em vez de suplementos, são recursos como vestimentas, equipamentos mais leves e utensílios que possam auxiliar o desempenho de um atleta durante um treinamento ou em provas. Só para ilustrar, roupas de compressão, capacetes, óculos, calçados especiais, bolas, pisos sintéticos, colchonetes e simuladores são alguns exemplos.

Com o avanço da tecnologia, esses recursos são aprimorados e trocados. Tanto que há polêmica no meio desportivo sobre seu uso, já que nem todos podem ter a oportunidade de utilizá-los e alguns tipos podem ser contrários ao regulamento de uma competição.

Psicológicos

O estado psicológico interfere diretamente no desempenho do atleta profissional. São estratégias para o controle de estresse, diminuição da ansiedade e motivação psicológica. Gritos de torcida, músicas, vídeos motivacionais, imagens, frases, discurso do técnico e até o auxílio de um profissional da Psicologia contam como recursos ergogênicos.

Farmacológicos

Embora até um simples café possa ser considerado um recurso ergogênico farmacológico, em geral, tratam-se principalmente de substâncias destinadas a melhorar artificialmente a performance do atleta. Agem simulando o funcionamento de hormônios ou neurotransmissores no organismo. No entanto, seu uso causa controvérsias no meio desportivo, pois todas as combinações trazem efeitos colaterais quando não usados na medida correta.

Analogamente, reiteramos novamente o uso de ergogênicos farmacológicos apenas sob prescrição, orientação e acompanhamento de um médico especializado.

EAA

O uso de esteroides anabólicos androgênicos (EAA) é considerado doping pelo Comitê Olímpico Internacional, embora seja comum em academias para hipertrofia e definição. Essas substâncias atuam de forma semelhante à testosterona, a fim de reter nitrogênio para incentivar o crescimento muscular.

É de extrema importância que os EAA sejam administrados somente com a supervisão de médicos especialistas, pois o uso inadequado pode causar graves consequências à saúde.

Anfetaminas

Anfetaminas também são consideradas recursos ergogênicos farmacológicos. Assim sendo, elas estimulam o sistema nervoso central, deixando o usuário em completo estado de alerta, bem como exercer maior quantidade de atividades e retardando a fadiga. No entanto, podem causar dependência, cefaleia, confusão mental e vertigem.

Essas substâncias são geralmente recomendadas
para o transtorno do déficit de atenção (TDAH) e para a narcolepsia, por isso só podem ser usadas após diagnóstico e prescrição.

Supervisão médica

No geral, o uso de recursos farmacológicos deve ser acompanhado de um profissional médico especializado. Os hormônios, por exemplo, só podem ser administrados por um médico endocrinologista.

Fisiológicos

Mecanismos ou adaptações fisiológicas são feitos com o objetivo de melhorar o desempenho do atleta. Aliás, treinamento é um exemplo de recurso ergogênico fisiológico. Similarmente, outros exemplos são a adaptação crônica à altitude e a massagem.

Quais são suas funções?

Por serem tão abrangentes, suas funções são muito amplas:

  • Evitar o acúmulo de substâncias que impedem a produção de energia;
  • Melhorar a estabilidade pelo aumento da massa muscular;
  • Aumentar a taxa de produção de energia no músculo;
  • Atender às necessidades diárias de nutrientes;
  • Aumentar a oxigenação dos pulmões;
  • Aumentar o tecido muscular;
  • Fornecer energia para órgãos e tecidos e, consequentemente, retardar o aparecimento da fadiga muscular;
  • Aumentar a resistência para a prática de esportes, principalmente os de longa duração, como escaladas, maratonas e triátlon;
  • Impedir processos que interferem negativamente no funcionamento psicológico;
  • Aumentar os processos psicológicos que intensificam a produção de energia;
  • Fornecer energia e nutrientes para o cérebro, retardando a fadiga central;
  • Reduzir a gordura corporal.

Como eles podem ser utilizados e quem pode ajudar a utilizá-los de forma adequada?

Alguns recursos ergogênicos podem ser usados por esportistas amadores. Recursos ergogênicos nutricionais e farmacológicos, no entanto, só devem ser utilizados sob orientação de profissionais.

Os alimentos para atletas, como os isotônicos, não devem ser consumidos fora da prática de exercícios. Da mesma forma, a ingestão de proteínas e vitaminas também é considerada um recurso ergogênico nutricional, porém o nutricionista é quem poderá indicar a quantidade certa diária para que o indivíduo tenha o rendimento desejado em suas atividades físicas. Por fim, os hormônios só podem ser utilizados sob supervisão de um endocrinologista.

Quais as indicações dos ergogênicos?

Como dito, recursos como os nutricionais e os farmacológicos necessitam de indicação profissional. No entanto, nada terá o funcionamento adequado se não houver uma alimentação adequada. Desse modo, a falta de um nutriente (que não é necessariamente considerado um ergogênico) pode causar queda do desempenho de um atleta.

Os recursos ergogênicos são usados pelo homem desde os tempos primórdios, mas de forma empírica. Então, quaisquer artifícios que pudessem melhorar seu desempenho em atividades diárias eram considerados ergogênicos.

No entanto, com o aprimoramento das pesquisas e da tecnologia, hoje temos alimentos, estratégias e utensílios pensados especificamente para cada atividade. Dessa forma, cabe ao atleta, amador ou profissional, procurar por profissionais especializados no assunto.