Conhecida comercialmente como botox, a toxina botulínica é uma das substâncias mais versáteis para procedimentos dermatológicos. Isso porque sua forma cosmética injetável é ideal para diminuir ou eliminar rugas dinâmicas (causadas pela movimentação dos músculos) e estáticas na testa, ao redor dos olhos e pescoço. Seu resultado é muito semelhante ao de um lifting.

No entanto, o uso do botox vai além da estética. Para ser ter uma ideia, hoje ele é comumente utilizado em tratamentos para disfunções na articulação temporomandibular (ATM), sorriso gengival, hiperidrose e até dores de cabeça. Por consequência, o uso por profissionais não credenciados aumentou.

Para saber mais sobre a toxina botulínica, seus diversos usos, indicações e contraindicações, continue a leitura deste post:

O que é a toxina botulínica?

É uma neurotoxina (toxina que atua no sistema nervoso) produzida pela bactéria Clostridium botulinum, que também é responsável pela patologia botulismo. No entanto, a substância é purificada em laboratório e usada em doses que não adoecem o paciente. Assim, a bactéria consegue produzir 7 tipos da toxina ― o usado pela Medicina é o tipo A.

Atualmente, o botox é um dos principais tratamentos antirrugas não invasivos disponibilizados pela Dermatologia, pois atua parando a movimentação do músculo que está “causando” as linhas de expressão. Consequentemente, provoca o relaxamento da pele.

Como a toxina botulínica funciona?

Funciona assim: a toxina botulínica é injetada no músculo causador da linha de expressão e, em seguida, liga-se aos neurônios que enviam o impulso de movimento ao músculo. Seu intuito é de impedir a liberação de acetilcolina, neurotransmissor responsável pelas contrações musculares.

Sem a contração do músculo, a pele fica lisa para quem observa. Na verdade, ela está apenas relaxada.

Dessa forma, o botox revolucionou os tratamentos dermatológicos para rejuvenescimento facial. Não há necessidade de intervenções cirúrgicas, já que todo o problema é resolvido com a aplicação de injeções.

Além disso, a substância age exatamente no músculo que provoca a linha de expressão, portanto o paciente não precisa se preocupar em parecer “robótico” ― ele não ficará com o rosto paralisado ou inexpressivo.

A aplicação de botox só é feita em músculos que não comprometam atividades essenciais do paciente, como falar ou até mesmo rir. O efeito começa em 48h, mas atinge seu ápice em 15 dias.

Quando tempo dura o efeito da toxina?

Ao perceber que não consegue mais mexer naquela região, o corpo começa a reagir. Assim, novos terminais nervosos começam a brotar dos neurônios contaminados pela toxina para liberar a acetilcolina e, consequentemente, restabelecer o movimento muscular.

Por volta de 4 meses, essas terminações estarão funcionando perfeitamente ― é a partir daí que a toxina botulínica perde seu efeito.

Logo depois, a toxina botulínica passa a ser eliminada das células, e aquele nervo que estava sem ação volta ao normal. Portanto, ela perde seu efeito em, no máximo, 6 meses após a aplicação. Por outro lado, o tratamento pode ser repetido, contanto que respeite-se o prazo.

Aliás, é importante que haja um intervalo mínimo de 3 meses entre uma aplicação e outra, considerando a mesma região. Caso contrário, o organismo pode criar uma defesa à toxina, diminuindo ou bloqueando seus efeitos.

Qual profissional pode aplicar a toxina botulínica no paciente?

A injeção de toxina botulínica não necessita de anestesia e é de rápida aplicação, mas não deixa de ser um procedimento invasivo (que penetra no organismo por meio de um instrumento) injetável.

Por mais que o procedimento pareça simples para o paciente, ele necessita de um alto nível de precisão e de conhecimento anatômico por parte do profissional. Portanto, para quem deseja aplicar a toxina botulínica, é imprescindível que o procedimento seja feito com um médico.

Além de ser mais seguro, é obrigatório pela Lei nº 12.842, de julho de 2013, que limita aos médicos a atuação com procedimentos invasivos ― mesmo os que penetram minimamente no organismo.

Ademais, apesar dessa imposição legal é possível encontrar cirurgiões-dentistas e profissionais de Estética que façam esse tipo de procedimento. No entanto, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) pede que o público denuncie essas práticas para que o órgão possa tomar medidas extrajudiciais.

Quais as principais indicações para toxina botulínica?

A fim de atender a objetivos estéticos, a toxina botulínica atenua rugas dinâmicas e estáticas, cicatrizes (incluindo de acne) e sulcos, reposição de volume em áreas do rosto com perda de gordura e de sustentação; contorno e volume dos lábios; olheiras e mandíbula.

Entretanto, da mesma forma a toxina botulínica tem diversas aplicações além da estética. Confira como ela pode auxiliar o paciente:

ATM

O botox pode ser uma arma eficiente para quem sofre de bruxismo (ranger de dentes durante o sono que pode provocar desgaste, amolecimentos e dores), principalmente quando o problema causa disfunções, como a síndrome da articulação têmporo-mandibular (ATM).

Nesse caso, a substância é aplicada nos músculos temporal anterior e masseter, na mandíbula. Assim, ela impede a contração, que tem como consequência o ranger dos dentes. Além de eliminar temporariamente os problemas na mandíbula, também diminui as dores de cabeça causadas pela disfunção.

Sorriso gengival

Embora não esteja ligada a rugas, a aplicação de botox no sorriso gengival também tem objetivo estético. Nesse caso, o indivíduo ao sorrir mostra um pouco mais da gengiva em comparação a outras pessoas, o que pode causar desconforto.

Com efeito, a toxina botulínica atua evitando a hipercontração muscular do lábio superior, diminuindo a exposição gengival. Nesse tipo de intervenção, é possível usar anestesia tópica.

Hiperidrose

Muitas pessoas sofrem com excesso de suor, principalmente nas axilas, mãos e pés. Para resolver esse problema, a toxina botulínica atua nas glândulas sudoríparas da região desejada bloqueando o neurotransmissor responsável. Por conseguinte, a eliminação do suor diminui ou cessa.

Nas mãos, o botox pode interferir discretamente na movimentação, já que a quantidade de aplicações necessárias para obter o efeito desejado é alta (35 a 40). Instrumentistas, por exemplo, podem sentir certo desconforto com esse efeito colateral.

Dores de cabeça

O botox demonstrou resultados efetivos em diversos tipos de dor de cabeça ― desde a crônica até a enxaqueca. Aqui, a toxina costuma ser injetada nos músculos em volta dos olhos, testa e algumas vezes na mandíbula. Entretanto, se a dor não for localizada, injeções adicionais podem ser aplicadas na coluna cervical, pescoço e ombros.

Estrabismo

Embora a cirurgia seja a melhor solução para o estrabismo, em alguns casos o botox pode ser a melhor alternativa. A substância é aplicada diretamente no músculo extraocular que está provocando o desvio, relaxando-o. Assim, sem a contração, os olhos voltam a se alinhar.

O uso da toxina botulínica só é útil em casos muito específicos, como desvio de pequenos ângulos e estrabismos pós-cirurgia, pois pode não atender ao resultado desejado.

Bexiga hiperativa

O botox também pode atuar na incontinência urinária. Em síntese, a substância inibe as contrações involuntárias da bexiga, que acontecem quando o órgão ainda não está suficientemente cheio.

Quais as contraindicações da toxina botulínica?

Apesar de atender a uma gama extensa de pacientes, nem sempre a toxina botulínica será recomendada. Conheça alguns casos:

  • pessoas com patologias autoimunes, neurológicas e que interferem nos músculos;
  • pessoas que estejam fazendo uso de medicamentos com aminoglicosídeo;
  • alérgicos à proteína do ovo;
  • gestantes e lactantes.